Unidades da cultura

Endereços, Contatos e Horários de Funcionamentos.

PONTO DE CULTURA: MUSEU INDÍGENA KANINDÉ

E-MAIL: pontoculturamemoriamk@gmail.com

Tel: (85) 99735-6775

horário: SEGUNDA A SEXTA -08:00 AS 17:00 HORAS. SABADO - 08:00 AS 12:00 HORAS

Endereço: SITIO FERNANDES - ZONA RURAL , 0 - ZONA RURAL

Agenda

Dados Gerais Nome: Ponto de Cultura: Museu Indígena Kanindé Dados da fundação: 15/06/1995 CNPJ: Coletivo Indígena Sem CNPJ Endereço: Aldeia Sitio Fernandes – S/N– Zona Rural – Aratuba - Ceará Contato: (85)997629589 – (85) 986054757 E-mail: mkindio@gmail.com – museukaninde@gmail.com Redes Sociais: http://mkindio.blogspot.com/ Apresentação do Coletivo: Eu me lembro que meu avô tinha medo de falar na história indígena porque dizia que o branco matava o índio. Minha mãe e meu pai passaram isso pra mim. O meu pai, quando eu saía pros encontros lá fora, ele dizia: "Sotero tu tem cuidado com isso aí porque o povo matava os índios e vocês tão se declarando os índios, aí eles vão matar. Vocês são índios, mas fiquem calados". Mas você ser uma coisa e ficar calado, né... Aí eu fui e pensei: o museu são histórias, aí fui arrumando as primeiras pecinhas. Pra mim o museu são histórias. É só coisa feia, mas é uma coisa da cultura da gente. Eu comecei com estas peças, que era o que a gente trabalhava: o machado, a foice. Aí fui vendo que a caça é uma cultura. O que a gente faz de artesanato também. (Cacique Sotero). O Museu dos Kanindé foi formado a partir da grande paixão do Cacique Sotero em guardar e colecionar objetos que fizessem referência aos seus antepassados, seus costumes e modos de vida. O processo de formação do acervo se inicia ainda na década de 1990, portanto, concomitantemente ao processo de afirmação étnica dos Kanindé (1995). É anterior a criação da Associação Indígena Kanindé de Aratuba (1998) e da luta por uma educação diferenciada (1999). Poderíamos afirmar que entre os Kanindé, foi uma das primeiras experiências de afirmação da indianidade, pois criado “para contar a história do índio na sociedade”. (Cacique Sotero). Sobre a formação do seu acervo Alexandre Gomes nos diz: Entretanto, o Museu Kanindé só foi aberto ao público em 1996, após o acirramento da luta pela terra da Gia. Trata-se de um espaço de memória que retrata a história do povo indígena Kanindé através dos seus objetos e da memória indígena local. Foi criado com o objetivo de contar as memórias dos troncos velhos para as novas gerações. Em seu acervo traz objetos representativos do modo de vida do povo Kanindé, de como classificam aquilo que de fato é importante para a sua vivência em comunidade e enquanto coletividade. Os objetos estão individualmente ligados a significados e interpretações que remetem a um passado comum e, sobretudo, de organização étnica. O Museu Indígena Kanindé funcionou a princípio em um pequeno quartinho ao lado da casa de seu fundador. Cacique Sotero sempre apresentava com muita emoção os objetos guardados dentro daquele pequeno espaço físico, mas de muita importância para os Kanindé. Foi através dele que as principais ações relacionadas a memória e o patrimônio foram sendo desenvolvidas. Foi no antigo espaço do Museu Kanindé que tudo começou: as formações, a limpeza dos objetos, a marcação e as outras atividades relacionadas ao museu e a escola diferenciada. O Museu Indígena Kanindé tem sido fundamental nos aprofundamentos sobre a existência de museus indígenas no Ceará, no Nordeste e no Brasil, chamando a atenção principalmente para a sua formação de acervo, sua representação acerca de si mesmo “dos índios para os índios” e acima de tudo seu processo de classificação dos objetos mostrando uma etnografia própria de fazer e de realizar um museu. Essa é uma experiência vivida intensamente e cotidianamente o processo de como os Kanindé se apropriam do museu indígena, se tornando importante porque contribui para problematizar como um povo indígena não destrói seus atos de pensar e agir diante daquilo que é novo, ao contrário, revela a dinamicidade da cultura e da organização social que a cada dia produz mais capacidade de interação do povo com sua própria historicidade. O Museu Indígena Kanindé foi o primeiro museu indígena criado no Ceará em 1995, e o segundo museu indígena no Brasil, pelo seu fundador cacique Sotero, segundo ele, para mostrar o índio na sociedade. Quando o cacique Sotero criou o museu Kanindé, ele passou a ser um elemento essencial da identidade indígena do povo, numa perspectiva de construção coletiva, ao mostrar o próprio olhar do índio Kanindé sobre sua versão da história. Desde então, o museu dos Kanindé vem chamando atenção principalmente por suas atividades realizadas em torno da educação escolar indígena e em museologia indígena numa perspectiva coletiva. Aqui é a experiência de nossa comunidade. Tem gato maracajá, camaleão, peba, mão-de-onça, tejo, pé-de-veado, nosso artesanato em madeira de imburana. Aqui é um fuso da minha tia, couro de jirita, coruja, inxuí de abelha que dá mel. A gente derruba na mata e come o mel. Bolsa de palha de carnaúba, o casco de um tatu. Aqui as nossas vestes, que nós usa nos ritual. Vamos fazer uma representação, que o povo gosta sempre de chamar a gente, a sociedade... também na escola com as crianças”. Em 1995, nós fomos numa reunião lá no Maracanaú, eu e meu irmão. Tá bem aí a história, foi a primeira história nossa, tá bem aqui nesse retrato. Era uma reunião indígena, passamos três dias lá. Quando nós cheguemo aqui aí nós trouxemos a história, quem era nós, nós ouvimos a história dos outros e se lembramos da nossa, que quando nós era novo nossos pais contava. Nós ganhava os matos, matando passarinho, comendo o figo dele, comendo ele cru, a gente chegava tarde em casa, aí ele dizia “o que vocês estavam fazendo, vocês são índios mesmo! (Cacique Sotero). Essa experiência se tornou referência no Brasil diante das crescentes práticas museológicos de cunho social, não somente dos povos indígenas, mas de outros sujeitos coletivos também. Os Museus Indígenas podem ser entendidos como espaços de relevância para a apropriação da memória e fortalecimento da identidade étnica, particularmente na relação com crianças e jovens, pois através do museu podem salvaguardar e usufruir dos objetos da história que se tem no presente, em consonância com o passado, para poder afirmar no futuro a sua identidade e relações étnicas.

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